13 de mar de 2009

Só 6 senadores pedem cancelamento de horas extras

Lula Marques/Folha

De um total de 81 senadores, apenas seis enviaram à direção do Senado pedidos de cancelamento das horas extras pagas aos funcionários de seus gabinetes em janeiro.

São eles: José Sarney (PMDB-AP), Aloizio Mercadante (PT-SP), Álvaro Dias (PSDB-PR), Katia Abreu (DEM-TO), Marina Silva (PT-AC) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Ficou nisso, por ora, a reação do Senado à farra das horas extras. Um escândalo que veio à tona na última terça (10).

Nesse dia, os repórteres Adriano Ceolin e Andraza Matais revelaram que o Senado torrara R$ 6,2 milhões no pagamento de horas extras a 3.883 funcionários em janeiro.

Um mês em que os senadores estavam de férias e o prédio de Niemeyer permanecera às moscas.

A ofensa à bolsa da Viúva fora autorizada por Efraim Morais (DEM-PB) em 29 de janeiro, três dias antes de o senador deixar a primeira-secretaria do Senado.

Cabe à primeira-secretaria gerir o Orçamento do Senado. Coisa de R$ 2,7 bilhões para o ano de 2009.

Sucessor de Efraim no comando das arcas da Câmara Alta, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) anunciou, para o futuro, a instalação de um ponto eletrônico.

E quanto ao passado? "Não caberia uma caça às bruxas”, disse Heráclito. “Apelo aos gabinetes para que vejam quem realmente trabalhou".

Ou seja, transferiu-se para os senadores a incumbência de identificar os servidores que atingiram o ideal de todo trabalhador: a paga sem o inconveniente do suor.

No dia que a novidade foi pendurada na manchete da Folha, José Sarney, o presidente do Senado, chamara o fenômeno das horas extras imotivadas pelo nome: “Absurdo”.

Sarney falara em “medidas efetivas” para restituir o decoro. Mencionara providências “até mesmo radicais”.

A radicalidade ficou limitada, porém, a um apelo à devolução do dinheiro. Disse Sarney:

"Não quero dar conselho a ninguém, mas acho que seria a melhor maneira de erguer a imagem da instituição...”

“...Isso é uma decisão de cada um [dos senadores], mas seria uma boa solução para todos nós".

Heráclito concedeu um refresco aos funcionários que, por ordem eventual dos chefes, tivessem de devolver os extras injustificados.

Disse que a restituição poderia ser feita em dez módicas prestações. Ainda assim, apenas seis senadores se dignaram, por enquanto, a homenagear o bom senso.

Na Câmara, também noticiaram Ceolin e Matais, as horas extras de janeiro foram aos contraceques de 610 funcionários.

Ali, a emboscada custou à Viúva R$ 653 mil. E não há, até o momento, vestígio da intenção de devolver.

É uma bagunça isso mesmo.

Sem palavras.

Telefônica lidera pelo terceiro ano seguido reclamações no Procon-SP

DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A Telefônica liderou pelo terceiro ano consecutivo o ranking de reclamações fundamentadas do Procon-SP em 2008, segundo o Cadastro de Reclamações Fundamentadas divulgado nesta sexta-feira. A empresa de telefonia recebeu 3.615 reclamações, queda de 17,9% em relação ao ano anterior (4.405 reclamações). Ao todo, 2.879 empresas foram alvos de 27.747 reclamações fundamentadas no ano passado.

As reclamações fundamentadas são apenas aquelas em que um processo administrativo foi aberto pelo Procon e a autoridade de defesa do consumidor considerou a reclamação procedente. Os casos que são resolvidos por telefone ou por carta do Procon à empresa não entram na lista.

Em segundo lugar, ficou o Itaú, seguido por Tim Celular, Unibanco e Brasil Telecom --veja o ranking dos dez primeiros colocados abaixo. Em 2007, os cinco primeiros colocados foram Telefônica, Itaú, Benq (celular Siemens), Vivo e Mitsubishi/Aiko/Evadin.

A Telefônica, que já foi liderou a lista de queixas em 1998, 1999, 2000, 2001, 2006 e 2007, teve 2.974 questões resolvidas e 641 ainda pendentes. As principais reclamações foram relacionadas à cobrança de serviços solicitados e não atendidos.

O Procon-SP também relacionou as empresas com maior número de reclamações por área de atuação. Em assuntos financeiros, liderou o Itaú, em serviços essenciais (telefonia fixa e celular, água, luz), a Telefônica, e em serviços privados (como TV por assinatura e provedores de internet), a Net (245 reclamações). Na área de saúde e alimentos, a empresa mais reclamada foi a Samfil, e em produtos (eletrodomésticos e móveis, por exemplo), a Gradiente-Philco.

O levantamento abrange o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008 e listou 2.939 fornecedores que atuam no Estado de São Paulo. Ao longo de 2008, os técnicos da Fundação Procon-SP realizaram 531 mil atendimentos, contra 515 mil no mesmo período do ano anterior.

A divulgação, nesta sexta-feira, do cadastro de reclamações e do ranking das empresas mais reclamadas em 2008, marca as comemorações do Dia Internacional do Consumidor, no próximo domingo (15), e do aniversário de 18 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor.

 

Terceiro ano seguido. E daí? Ninguém faz nada.