6 de jul de 2009

"Meninão do vô"

Era com essa frase que meu vô dirigia seu Corcel II pelas ruas de Araras e pela rodovia Anhanguera rumo a São Paulo.

Ah, tinha também um fusquinha, me lembro bem dele e também não tem como esquecer o dia que batemos quando um carro cortou nossa preferencial. Eu chorava muito no hospital, afinal tenho medo de agulha e um corte me rendeu 4 pontos na testa. Isso foi apenas uma das muitas aventuras que fiz com meu vô.

O que mais gostava de fazer era ficar nas construções que ele comandava. Levava meus brinquedos e ficava na terra construindo meu próprio universo, perdendo meus bonecos no meio do material de construção, quebrando azulejos, me sentindo o pedreiro.

Meu vô era super ativo, ficava correndo o dia todo, era comprar material, levar para as casas, atormentar os pedreiros, chamar pintor e encanador, tudo para deixar as obras impecáveis.

Sempre foi minha referência como homem.

Dedicado, colocando a família em primeiro lugar, a educação dos filhos.

Sua honestidade era irritante, ainda mais vendo o que se passa nos dias de hoje, na época não entendia nada, mas só sou assim hoje porque tive uma educação e valores muito fortes. Cheguei à temida adolescência, época de rebeldia e revolta com o mundo, mesmo assim, sua conduta comigo era um exemplo, nunca levantou a mão para mim, mas só seu olhar já era suficiente para saber que estava fazendo algo de errado.

Meu pai sempre será ele, já que quem cria é o pai. JJJ

Em 2000 saí da cidade de Araras e fui para São Paulo, não fui uma mudança que eu queria fazer mas precisava, já estava mais do que na hora de me virar sozinho. Meu vô? Ah meu vô sempre se preocupando comigo, sempre oferecendo ajuda, sempre sendo meu vô.

O tempo passou mais um pouco e eu sempre tinha em mente que o dia que eu tivesse um filho, replicaria a educação que tive com ele.

A Lara nasceu, e por sorte e felicidade, ela conheceu o meu vô, seu bisavô. Ele também amou essa menina da mesma maneira que me amou um dia. Hoje guardo e vejo todos os dias a foto dele com a Lara no colo.

Acontece que semana passada, meu vô resolveu aceitar o chamado de Deus e foi alegrar um pouco mais o céu. Foi um presente para ele já que foi no dia do seu aniversário, fiquei com meu vô nos braços até a ambulância chegar.

Acho que esse dia foi a ruptura de tudo o que eu era e de tudo o que me tornei.

Cuidei de tudo sozinho, da papelada ao enterro, passando pelo velório. Só consegui ter forças graças a ele, graças a tudo o que ele me ensinou. Agora tenho uma vó linda e que eu amo de paixão, quero-a do meu lado e perto, prometi a meu vô.

Bom, curti muito meu vô e espero que todos que ainda tenham o seu, curtam muito.

Hoje tenho poucas coisas a dizer sem me emocionar, mas uma delas é: OBRIGADO, TENHO SAUDADES.

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