19 de jun de 2009

Windows 7

Para quem pretende usar o novo sistema, direto do Webinsider.

O ciclo de desenvolvimento do Windows 7 chega ao fim. As próximas e poucas versões de testes antes da edição final servem apenas para conferir retoques pontuais no código, sobretudo na compatibilidade com softwares de terceiros. Se você ainda não conhece o novo Windows, leia esta análise publicada no UOL.

Até meados de julho, fabricantes recebem a versão final (RTM, da sigla Release to Manufacturing) e em outubro a caixinha com o novo Windows chega às lojas, de acordo com a previsão oficial da Microsoft. Pode atrasar, claro, mas não há motivos aparentes porque o Windows 7 está pronto há muito tempo, antes mesmo de entrar na linha de produção. A explicar.

Se você acha impressionante que a Microsoft lance um novo Windows em tempo recorde, com o Vista ainda longe da consolidação e da aceitação depois de dois Service Pack, é de impressionar mais ainda os elogios da chamada “imprensa especializada” quando falam do produto.

Elogiar é bom e necessário, mas é preciso saber o quê elogiar exatamente. O Windows 7 é, sem dúvida alguma, superior ao Vista. A questão é: será que a Microsoft conseguiria fazer algo pior do que o Vista? Não é questão de gosto ou opinião, é de código.

O Vista é uma monstruosidade na qual o usuário não tem controle algum. São 12 GB ocupados em disco e mais de 100 milhões de linhas de código auditadas. Com 4GB de RAM e um super processador, você não vai ter a performance que deveria ter. E com 8GB de RAM, não vai perceber diferença alguma no uso diário de escritório. E deveria perceber, porque um dos alicerces da campanha promocional foi o gerenciamento “inteligente” de cache, depois descoberto ser nada mais, nada menos, do que um tal de Superfetch. Um recurso já existente no XP que ganhou umas turbinas a mais no Vista. Problemático, contudo.

Entre os coitados que se arriscaram a usar o Vista com “apenas” 2 GB, a maioria preferiu voltar ao XP ou se jogar pela janela antes de precisar instalar o Office.

O Windows 7 funciona bem com 2 GB de RAM, até mesmo com 1 GB se você quiser arriscar no notebook e não fizer questão do visual Aero, herdado do Vista. O sistema, como um todo, é mais responsivo e passa uma noção de ser mais suave. O problema é, novamente, perguntar: mais suave comparado a quê? Se for ao Vista, qualquer coisa vai parecer (para muita gente) mais leve.

A suavidade do Win7 é uma maquiagem. Funciona, mas é uma maquiagem e não é difícil de entender para quem gosta de fuçar a essência do comportamento de um sistema operacional, ao analisar todos os processos e serviços que rodam em segundo plano, todas as chamadas, bibliotecas ativas etc.

Sempre reclamaram que o Vista consome cerca de 600 MB de memória RAM apenas para inicializar. A maquiagem do Win7 melhorou o índice, mas ainda é pouco. Sem aplicativos externos instalados, o Win7 consome entre 400 MB e 500 MB da RAM apenas para iniciar. Depois de colocar o Office (se for o 2007, piora ainda mais) e seus programas de internet, você facilmente ficará próximo a 800MB apenas para começar usar o Win7.

Com o Windows XP atualizado com todos os boletins de segurança e updates, o consumo inicial não chega a 120 Mb de RAM. Na versão 64-bit, chega a 250 Mb, número normal devido à arquitetura 64-bit, sempre a consumir mais e gerenciar melhor a memória. (ainda falaremos mais sobre o assunto, até lá você pode entender as diferenças da arquitetura 64-bit lendo esta reportagem).

Mesmo assim, o Win7 parece mais leve. Como? Tiraram gordura do código no Superfetch (que continua problemático a longo prazo, contudo) e no gerenciamento de memória, além da maquiagem óbvia de mudar a configuração padrão de “automático” para “manual” em pelo menos uma dúzia de serviços que rodam em segundo plano no Vista e consomem recursos e memória, mesmo que você nunca vá usar na vida.

Para o usuário final, é um avanço. Tecnicamente, é maquiagem das grossas. Muita gente diz que o Win7 é melhor porque foi escrito na base do Windows Server 2008. Besteira, porque a essência é a mesma e tem sido sempre assim. A maior prova é que o próprio Windows Server 2008 R2, a ser lançado depois do Win7, usa a mesma base de código do… Win7.

Pagar caro por um produto que não lhe dá opções. São cinco ou seis versões diferentes, outra monstruosidade herdada do Vista, mas em nenhuma delas é você quem escolhe o que instalar. Independente da versão, o Win7 vai ocupar 10 GB do seu disco rígido. E a tal da “imprensa especializada” ainda diz que o Win7 é “ótimo” para netbooks, esquecendo que os melhores netbooks de hoje usam discos SSD (Solid State Drive) com 64 GB ou 128 GB de espaço. Às vezes, nem isso. Os netbooks mais baratos usam memória flash de 8 GB ou 16 GB fazendo o papel de disco rígido.

Com o Windows 7, a Microsoft passa a idéia para o mercado que agora é possível desinstalar o Internet Explorer, o Windows Media Player e outros acessórios. Não é verdade. Você pode “desinstalar” no sentido de que o Windows vai esconder os aplicativos e não permitir a execução. Eles continuam lá, intactos, no seu disco rígido, sendo reativados com um clique e uma reinicialização.

E mesmo que você “desinstale” todas as opções que a Microsoft oferece, seu disco rígido vai continuar com o mesmo espaço ocupado e o mesmo vale para o registro do Windows, o qual continuará entupido com entradas supérfluas.

Não é uma prática ilegal, é apenas discutível. E reveladora.

Ao analisar os pacotes de código do Windows 7 e do Windows Vista, chegamos a conclusões interessantes. O Windows Media Player, sozinho, ocupa algo em torno de 400 Mb em disco, fora a fatia no registro e na memória RAM. O Windows Media Center abocanha outros 400 Mb. O reconhecimento de voz (Natural Language) leva pouco mais de 1 GB e as dezenas de idiomas (que você nunca vai usar) ocupam quase 2 GB em disco.

Por que eu não posso dizer ao Windows para não instalar esses bagulhos? Antigamente podia, aliás, sempre foi possível. Desde o Windows XP, lançado em 2001, ninguém tem mais opção de absolutamente nada.

O Windows Media Player é bonitinho, mas eu prefiro o Winamp. Será que sou o único? Eu também não gosto do Windows Search (o concorrente do Google Desktop Search), aquele aplicativo para indexar seu computador inteiro e agilizar as buscas. Ele é útil e bem poderoso, mas prefiro usar um ainda mais poderoso chamado Copernic Desktop Search, igualmente gratuito.

Então, o Win7 lhe dá a opção de “desinstalar” o Windows Search. Surpresa, quando você desinstala, percebe que o botão de “search” sumiu do mapa, até mesmo para pesquisas simples sem usar o indexador. Se você não quer usar o aplicativo do Windows, também não vai poder fazer buscas simples como sempre se fez em qualquer sistema operacional.

A única solução (sabe-se lá se vão resolver até outubro…) é manter o Windows Search instalado, consumindo memória e recursos, mesmo que você não vá fazer pesquisas indexadas, mas apenas as pesquisas simples.

O Windows Media Center, sempre achei de uma redundância incrível para um computador de trabalho ou mesmo de diversão em casa. Fora os inúmeros acessórios e serviços os quais, somados, vão lhe tomar muitos e muitos gigabytes desnecessários – do disco e de RAM.

Com exceção da “nova” barra de ferramentas (Superbar), tudo no Windows 7 é Windows Vista. Curiosamente, se você gosta do Vista, não vai poder cancelar a Superbar e voltar à usabilidade de antes, com a barra de acesso rápido e o jeitão tradicional das janelas.

Até pode, mas será preciso fuçar no Google e mexer você mesmo no registro do Windows. Ou seja, forçar uma gambiarra para que você, usuário, tenha a opção de usar a barra de ferramentas como gosta. Programadores independentes estão criando pequenos utilitários, com interface gráfica, para fazer o trabalho por você. A Microsoft, por outro lado, sequer se pronuncia.

Eu uso o Windows 7 desde a primeira versão beta (faz tempo…) e detesto a nova barra de ferramentas. Mas detesto mais ainda ter que ir no Google, a cada nova instalação, aprender a gambiarra de habilitar minha barra de lançamento rápido (Quick Launch) e voltar ao estilo clássico no manuseio de janelas.

Diferentemente do que temos lido, o Windows 7 tira muito mais opções do usuário do que o Vista. Até o Menu Iniciar, atualmente reversível para o modo clássico no Vista se você quiser, não pode mais ser modificado no Windows 7. Tudo indica que a Microsoft manterá essa política, sem flexibilizar o poder do usuário na versão final do Win7.

Tudo isso seria irrelevante se, de fato, o Windows 7 cumprisse as antigas promessas quando o Vista ainda estava em produção. Até agora, contudo, as principais delas só existem no papel. Uma coisa meio Duke Nukem Forever, sabe?

O sistema de arquivos é o velho NTFS. O Windows continua exigindo espaço demais em disco. O gerenciamento de memória, embora melhorado, ainda deixa a desejar. O recurso de Superfetch, embora também melhorado se comparado ao Vista, continua sem entender direito a lógica de diferentes usuários.

O Windows 7 vai ser a salvação da lavoura para muita gente, principalmente para usuários de notebooks e netbooks. Primeiro porque nossa principal referência é o Vista, lento e troglodita; e o XP, desatualizado em relação a novos hardwares. Só é uma pena que, justamente para essa fatia de usuários, o Windows 7 seja tudo que possamos ter da Microsoft.

Tem gente que tenta instalar o Linux, às vezes formatando o disco rígido sem querer no meio do caminho. Outros vendem a mãe para comprar um Macintosh. E tem o pessoal que desconta as frustrações escrevendo sobre tudo isso para não se jogar pela janela. Escolha seu time e vá a luta.

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