8 de abr de 2008

Vícios

A cena parece se repetir: domingo ele não quer saber de sair porque vai ter a partida de futebol do "time do coração". Já você, não vê a hora de poder ir ao shopping e dar uma olhada nas vitrines para saber o que está ou não na moda. Este é apenas um exemplo de casais que enfrentam uma grande dificuldade em seus relacionamentos: o "vício" do outro. E nessas horas, qual será a melhor maneira de agir? Como resolver e driblar a paixão exagerada para ser feliz no amor?

Segundo a psicóloga Adriana Falcão Duarte, todas as pessoas que vão iniciar um relacionamento possuem seus históricos de vivências e de manias. "É necessário perceber o que é algo saudável, como se reunir para uma partida de futebol com os amigos uma ou duas vezes por semana e ter tempo para outras atividades ou só pensar em jogar e assistir ao futebol o tempo todo e ficar sem tempo para mais nenhum compromisso", explica Adriana.

Esta situação aconteceu com a bióloga Kcrishna Barros, 24 anos, que há 2 anos namora um carioca que conheceu em Fortaleza. Ela conta que uma vez seu namorado, que é apaixonado por Fórmula 1, a deixou em casa e, em vez de ficar com ela, foi para a casa dele assistir à uma corrida. Depois disso, o casal conversou sobre o assunto e chegou a um acordo.

"Nós combinamos que evitaríamos ao máximo nossos vícios enquanto estivéssemos juntos e que se um quebrasse o acordo o outro também teria o direito de quebrar, mas a compreensão ficou tão maior, ficamos tão mais tolerantes, que muitas vezes eu vejo corridas e jogos com ele e nem exijo 'a minha parte', só pelo prazer de estar com ele do meu lado, por contribuir e participar um pouco para a felicidade dele", diz Kcrishna.

Para a terapeuta comportamental Márcia Côrrea, cada pessoa tem os seus motivos para gostar de uma coisa ou de outra. "É importante entender que um determinado evento é importante, mas não é certo aceitar tudo sem se colocar. O ideal é manter um bom diálogo e não esperar acumular assunto como, por exemplo, esperar passar 10 campeonatos de futebol (ou 10 finais de novela) para 'reclamar'. Assim que perceber que um momento em que queria atenção foi trocado pelo 'vicio', fale", enfatiza a terapeuta.

"Se o namorado fala, por exemplo, 'eu não abro mão do meu futebol de todo o domingo, de jeito nenhum', cabe a namorada aceitar isso, ou então, se não tiver jeito, acabar o namoro. Geralmente as brigas ocorrem pela falta desse diálogo, e o que é importante para uma pessoa e sem importância alguma para a outra vira motivo de discussão", relata Márcia Côrrea.

A estudante Ingrid Diniz das Neves, 17 anos, que namora há 1 ano e 3 meses, se diz viciada em novelas, enquanto o namorado adora tocar em uma banda. "Depois de algumas brigas percebemos que não custa nada abrir mão de algumas coisas por quem você ama. Se o meu namorado reclama quando eu o deixo de lado para assistir à novela é porque ele sente minha falta e realmente gosta de mim. Se o casal conversa, sempre dá para achar um meio termo", fala a estudante.

De acordo com a psicoterapeuta Kelen de Bernardi Pizol, é preciso ter muito claro se o "vício" realmente incomoda e influencia no andamento do namoro ou se não é apenas ciúmes da parte que "está sendo deixada de lado". "Às vezes a paixão do namorado é encarada como uma competição de tempo, mas ela não necessariamente atrapalha o relacionamento", declara.

O instrutor de avião Adriano Horn, 23 anos, que namora há 1 ano e 4 meses, concorda que um "vício" pode gerar ciúmes. "Adoro voar devido à sensação de liberdade. Minha namorada compreende, mas às vezes pede para eu não falar de avião perto dela. Sei que em certas horas preciso mesmo 'desligar' da aviação e curtir o nosso momento juntos", conta.

"Dentro de uma relação, é preciso um momento para que cada um realize algo que lhe dê prazer, mas que saiba quando interromper isso e viver o momento a dois", finaliza a psicóloga Adriana Falcão Duarte.

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